Quando vires os teus olhos a verem-te, quando não souberes se tu és tu ou se o teu reflexo no espelho és tu, quando não conseguires distinguir-te de ti, olha para o fundo dessa pessoa que és e imagina o que aconteceria se todos soubessem aquilo que só tu sabes sobre ti.

José Luis Peixoto

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

«Um dia o sábio estava sentado com um pequeno rapaz a conversar sobre a sua vida e disse:
- Rapaz, eu tenho, sempre tive e irei ter sempre uma luta terrível entre dois lobos no meu interior.
- Uma luta entre dois lobos mestre!?
- Sim. Um deles é mau e traz consigo o arrependimento, a arrogância, a culpa, o ego, a falsidade, a inveja, a mentira, o orgulho, a raiva, a superioridade e a tristeza. O outro é um lobo bom e traz consigo a alegria, o amor, a bondade, a compaixão, a empatia, a esperança, a fé, a humildade, a generosidade e a verdade.
- E eles não se atacam mestre?
- Atacam. E esta mesmo luta existe dentro de ti e dentro de todas as pessoas do mundo…
O pequeno rapaz fez silêncio por alguns instantes e, de seguida, perguntou:
- Qual deles vai ganhar mestre?
E a resposta do mestre foi simples:
- Aquele que tu alimentares.»

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

E apesar de tudo, rimos

Quando se sabe que o sol nasce todos os dias, tem-se o sossego e a alegria tonta de simplesmente esperar que a terra - e o destino - rodem o suficiente para nos alinhar de novo com o que é nosso.

 

domingo, 22 de junho de 2014

Há sempre perdão (mesmo longe da paixão)

Talvez hoje o mar adentro
Onde o coração dispara
Onde o nosso amor de sempre
Pode nos levar a casa
Tiago Bettencourt

Só o amor de sempre nos pode levar a casa. Só o amor de sempre nos apoia e nos contraria. Só o amor de sempre está, apesar de tudo, sempre do nosso lado. Porque o amor de sempre não dá mas ensina, não evita a queda mas ampara, não tira a dor mas ajuda a suportá-la. Porque o amor, o de sempre, perdoa. E este amor, este amor só pode ser o de sempre.  

sexta-feira, 6 de junho de 2014



Ou não perdoes, mas deixa andar. 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Na curva do meu pescoço

Acreditar que sim, que é este o caminho. E se não for, voltamos atrás e começamos de novo. Um bocadinho (um bocadão) mais todos os dias. Com calma, porque me ensinaste que é preciso dar tempo ao tempo, e tudo se resolve. Porque no Boa noite do fim do dia já sinto o Bom dia com um abraço. E não há nada neste mundo que não se resolva com um abraço bem apertado e a tua cabeça na curva do meu pescoço.

Don't close your eyes unless you can dream. Don't open your eyes unless you can believe.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Então é Amor

Se as dificuldades diminuem quando partilhadas. Se os receios se transformam num mote comum para unir esforços e ultrapassá-los. Se num momento de silêncio em que se escuta o outro se ajudam a reparar os estragos de um mau dia. Se na intensidade de um abraço se concentra a paz de uma vida. Se o beijo que nos acorda e a primeira palavra que se escuta nos fazem ter a certeza de que, o que quer que aconteça, vai valer a pena regressar no final do dia. Se a outra pessoa da nossa vida significa tudo isto, o Amor é, será sempre, suficiente. Suficiente para ter todas as certezas do mundo mesmo que a pior das dúvidas e o mais tenebroso medo nos assalte. Porque amar e ser amado só nos pode trazer protecção, segurança e paz.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Disponibilidade de coração

A forma como me pegas na mão. Como, no meio da confusão, me procuras com o olhar e me fazes saber que estamos ali juntos. O carinho com que pousas a tua mão no fundo das minhas costas, onde quer que estejamos, e me fazes sentir em casa. O beijo suave na testa, no pescoço, nas costas sem constrangimentos nem embaraços. A tua disponibilidade de afectos, de coração.  

A capacidade de apagar um dia mau no conforto único de um abraço forte.

sábado, 29 de março de 2014

Aqui deste lado não poderias ser quem eras, quem serias. Fugiste de um mundo pequenino, de uma asfixia

(Pedro Paixão)

quinta-feira, 20 de março de 2014

Tenho saudades tuas. Morro de saudades tuas. Falta-me o conforto do chá de maçã e canela de verdade e o arranjares solução para tudo, sempre. Continuo a mexer os pés quando não quero adormecer e lembro-me de ti. A lua, bem, a lua tem também o teu nome gravado. Quando as palavras não são muitas, tenho menos certezas do que aquelas que sempre tive contigo. Nem todos os dias me lembro de ti mas ainda não consigo esquecer a tua ausência.
And once the storm is over you won’t remember how you made it through, how you managed to survive. You won’t even be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won’t be the same person who walked in. That’s what this storm’s all about.

Haruki Murakami, Kafka on the Shore

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Stand and stare


"What is life if, full of care
We have no time to stand and stare?

No time to stand beneath the boughs
And stare as long as sheeps or cows

No time to see, when weeds we pass,
where squirrels hide their nuts in grass

No time to see, in broad daylight
Streams full of stars, like skies at night

No time to turn at Beauty's glance,
And watch her feet, how they can dance

No time to wait till her mouth can
Enrich that smile her eyes began

A poor life this is if, full of care,
We have no time to stand and stare.


Leisure de William Henry Davies. 1911. encontrado aqui.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

I cannot unsee what I've seen. I cannot unknow what I've known.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sê tu própria e a tua melhor amiga

Às vezes tens que ser a tua própria estrela, o teu anjo da guarda. Tens que ser o teu próprio herói, merecer o teu próprio orgulho e senti-lo, bem forte. Tens que ser tu a nadar e tu também, nas bancadas, a torcer. Tens que ser o ídolo e o fã, tens que te admirar a ti próprio pelo que fazes, pelo que és, pelo que representas.
Às vezes tens que brilhar mais que o sol, ser a mais bondosa, a mais luminosa, a mais humilde. Tens que fazer as perguntas e saber as respostas, ter tempo para falar e conseguir ouvir.
Porque às vezes dás por ti, e no meio da multidão, no meio da família e dos amigos, de tanto amor que te têm, és a única que, naquele momento, está lá. E é com essa pessoa que tens, acima de tudo, que aprender a admirar. A elogiar, quando te olhas ao espelho. A felicitar, quando as coisas correm bem. A mimar, quando a vida é dura. Sê tu própria e, quando o fores, sê também a tua melhor amiga.

Espectacularmente bem escrito, aqui. (Repost)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

We will do it.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013

2013 trouxe-me dúvidas, muitas dúvidas, mas trouxe-me ainda mais certezas.
Fui sozinha e adorei ser só eu. Reaprendi a felicidade comigo mesma, conquistei um lugar onde não conhecia ninguém e construí mais uma parte da minha família. Viajei, viajei muito. E falei escrevendo, muito também. Aprendi a ceder uma parte do meu espaço. E cresci.
Londres e o reencontro com a família. Irlanda e voltar a nós. Suiça e Luxemburgo e sabermos que depois disto ficamos amigos para sempre. Berlim e a nossa vida que mudou tanto desde então. Amesterdão muitas vezes e com uma das pessoas mais importantes da minha vida. Bélgica e a inesquecível viagem de Qashqai e tudo o que lá vivemos. Utrecht e não gostar assim tanto porque afinal o que interessa é estarmos juntos. Tive muito orgulho do meus país e divulguei-o intensivamente durante 4 dias. 
Fiz amigos, muitos e pessoas que vão ficar para sempre na minha vida. Fiz melhores amigos também. E mantive aqueles que já tinha. Estive sempre presente na vida dos meus, mesmo com tantos kms a separar-nos. Fiz a diferença naquilo que mais me faz feliz, as pessoas. Apaixonei-me. Deixei-me levar, aprendi a sermos os dois porque agora sei que "It's always better when we're together". Cumprimos promessas de infância e fui madrinha de casamento de uma amiga de sempre. Decidi que sim, que talvez valesse a pena, e perdi uma pessoa muito importante na minha vida. Senti que fiz muita falta no dia-a-dia, em especial a alguém com quem sempre vivi lado a lado.
A maior certeza que tenho no fim deste ano é que "quando se pertence, nunca se parte". E isso, isso enche-me o coração daquilo que realmente importa. 

domingo, 22 de dezembro de 2013

- How do you know that?
- Because you said you wouldn't. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

para antes de perguntar.. ver.

Desde pequenos somos programados para pedir, para perguntar. e menos para dar, ou responder. "quem não chora, não mama" deve ser das piores teorias que se ensinam, porque encerra em si o facto de quem dá, só o faz porque alguém lhe pediu/chorou. teoria triste, porque tudo o que recebemos, quando pedimos, sabe sempre - apenas - a resposta. e o melhor de ouvir não são respostas. "eu também gosto de ti" tem só metade do valor de: gosto de ti. "eu também quero estar aí", não vale quase nada ao lado de: eu vou aí! é que "eu também", podendo ser a melhor réplica que se pode ter, é apenas isso mesmo: uma resposta. e as coisas que contam mesmo não são respostas. são afirmações.
desde pequenos somos programados para pedir: queres namorar comigo? dás-me um beijo? casas comigo? deve ser por isso que desarmam as pessoas que em vez de perguntar, afirmam. não dizem dás-me um beijo. dão. não perguntam: queres viver comigo. entregam as chaves da casa. não perguntam se vamos amar para sempre: tatuam esse amor na pele. porque as melhores afirmações não se dizem, não se escrevem, fazem-se! as afirmações que realmente contam são gestos: quando se vai contra um muro só porque se quer alguém que está do outro lado, quando se enfrenta o mar bravo só porque se quer ir mesmo naquele barco. quando alguém nos mostra com actos e atitudes que é ao nosso lado que quer estar, sem o termos pedido, ficamos com o peito cheio de certezas, algumas que nem sequer sabíamos que podíamos ter.

por isso "do you love me?.." é a pior pergunta que se pode fazer. por muita ansiedade ou necessidade que se tenha em ouvir, é preciso saber esperar, no nosso canto, que o mundo nos diga o que quer de nós, o que somos, e para quem contamos. porque nesse momento, quando sem pedirmos, o mundo se muda, se transforma, se vira de pernas para o ar, só para nos mostrar o que valemos, aí sim, vamos ter todas as certezas que nenhuma resposta nos podia dar.
desde pequenos somos programados para pedir. sorte a de quem aprendeu, ou foi ensinado, ou tem a capacidade natural de, antes de questionar, entender. antes de criticar, saber colocar-se do outro lado. antes de pedir, dar tudo. para antes de perguntar.. ver.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Solta o cabelo, meu amor!

"Quando te conheci andavas sempre de cabelo solto. Tinhas um cabelo bonito, meu amor, loiro e liso, sempre com um cheiro a camomila e a alfazema, que eu bem me recordo. (...) Quando a vida nos juntou – para sempre- lembro-me daquele novo primeiro beijo, de mergulhar as mãos no teu cabelo como se estivesse em casa, ao fim do dia, a mesma sensação de descalçar os sapatos, de regresso a casa. Depois de sermos pais, os cabelos passaram a andar presos, porque a Ana tos puxa, porque precisas de mudar fraldas, de dar banhos, cabelos longe dos olhos, presos num rabo-de-cavalo, numa trança, o mesmo cheiro a camomila e alfazema, mas presos, apanhados na teia do quotidiano com filhos, da maternidade que se quer sem embaraços, logo os teus cabelos, meu amor, potros indomáveis.(...)
De caminho te peço: soltas o cabelo, meu amor?"

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Porque sermos, basta.


Dei por mim a falar, a partilhar. Ouvi-me dizer que não precisamos de saber o que a outra tem, basta estarmos, porque estamos e estaremos sempre sem precisarmos de saber o motivo. Porque o que interessa é sabermos que estamos lá, incondicionalmente, e que a simples presença da outra basta para que tudo fique um bocadinho melhor, sem razões, só porque sim. Só porque nos temos uma à outra neste mundo que, tantas vezes desencontrado, acaba sempre por girar no sentido certo. 

Fazer parte de algo Maior. Estar, Ser e Cuidar. Simples assim. Sem mais.

do Norte

"No Norte quando se ama, acaba tudo. Começa tudo. Nunca mais esqueceremos. No Sul nada acaba de repente, há mais maneiras, uma forma diferente de nos encontramos e de nos deixarmos. No Norte somos todas rapazes. Há um brio qualquer, uma razão secreta para não haver cavalheirismos. Somos iguais e então é uma guerra. No Sul que parece tão fácil é sempre tudo mais difícil. Se nos arrebatam, estamos doidos, se somos nós a arrebatar, estamos doidos. É assim e eu sei que não é por mal. No Norte matamo-nos, matamos, fazemos um pé-de-vento, há sempre confusão nas estações de comboio. E bêbedos, muitos bêbedos. Metade delas, das bebedeiras, por causa deles. Dos amores partidos. No Norte, uma senhora tem sempre um rasgo de aventura escondido no peito, o Norte é duro, torna-nos duros e desvairados quando amamos. No Norte ama-se tudo, a família tonta, os ricos e os pobres são histórias que se contam casa sim e casa não. No Norte, onde tudo importa, tudo se aceita. Comem-se tripas. Mas no Sul não. No Sul apaixonamo-nos mais vezes e quando damos conta fomos levados. É do calor. E não era assim tão importante. Quando, no Sul, um amor nos arranca do chão, esse é o único. E lembramo-nos do Norte: violento e terno, como todos os grandes amores."


Porque nunca, tanto como aqui, me fizeram ver que sou uma mulher do Norte.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013


Não parar na dificuldade, no medo, naquilo que não é o nosso coração a ditar, e que nos atemoriza.  Não adiar nenhum dos lados da vida, porque a vida esgota-se e só Deus sabe o que virá depois, e se.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Quero-te. Ficamos

E o que nos falta, seis semanas. Demasiado bom para deixar fugir assim facilmente, dizes, e demasiado difícil para decidir só com o coração. Faço-te falar do que sentes e do que queremos fazer, gostas disso em mim, dizes. Com ou sem perspectivas de um lugar comum, há vontade. E a vontade, esta vontade muda o mundo. 
 Quero-te. Ficamos.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Hás-de voar. Afinal, tens asas. Que também fazem os outros voar.

Para a Ana-João Nogueira